Precisamos mudar a estratégia evangelística. Precisamos aprender com Jesus.
Durante anos aprendemos que a
missão da igreja e do crente é ganhar almas pra Jesus. Afinal, Jesus veio para
salvar o que se havia perdido (Lucas 19.10).
E a estratégia que muitas igrejas
usam quando o assunto é evangelismo é promover eventos evangelísticos,
geralmente “louvorzões gospel”, ações sociais (que poderiam ser ampliadas), ou
simplesmente, sair pelas ruas distribuindo folhetos e falando do Amor de Jesus
aos passantes.
Tal estratégia funciona, mas
ainda é deficiente. Demanda tempo e recursos o que, muitas vezes, não dispomos.
Quando temos uma missão/projeto,
para aplicá-lo, traçamos estratégias e utilizamos métodos para alcançar
resultados.
O cenário
Agora, sejamos sinceros:
analisando os resultados dos nossos esforços em ganhar almas, será que nossas
estratégias e métodos têm sido eficientes?
Se você disser que sim, respeito
sua opinião, mas embora o IBGE tenha divulgado recentemente que o número de
evangélicos tem crescido absurdamente e que a tendência é que até 2020 esse
número chegue a 50% da população brasileira, crescimento numérico não é
sinônimo de crescimento qualitativo. Exemplo disso é que nunca as igrejas
estiveram tão cheias, mas tão pouco influentes socialmente. Nunca se ouviu
falar de tantas escândalos no meio evangélico como hoje, logo, crescimento
quantitativo nem sempre significa influência social.
E, se temos que imitar Jesus,
temos que admitir que temos falhado! Jesus não só transformou e influenciou a
sociedade na qual estava inserido, como dividiu a história da humanidade e seus
feitos, sua vida, suas palavras têm voz até hoje. E por quê? Porque Jesus tinha
credibilidade, algo que o Evangelho no Brasil vem perdendo. E por que Jesus
tinha credibilidade? Porque liderava pelo exemplo.
A vida de Jesus não era só
discursiva, era de prática. E enquanto os crentes do Brasil não pararem de
viver essa espiritualidade ignorante, não vai adiantar crescermos em número.
Conversão pressupõe mudança de vida, de postura, de comportamento, e não de
religião. Jesus não era religioso!
Agora, se sua resposta foi não,
precisamos pensar. Onde temos errado? Vamos à Palavra!
Mateus 9
10. E aconteceu que, estando ele
em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se
juntamente com Jesus e seus discípulos.
11. E os fariseus, vendo isto,
disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e
pecadores?
12. Jesus, porém, ouvindo,
disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes.
13. Ide, porém, e aprendei o que
significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os
justos, mas os pecadores, ao arrependimento.
Passamos muito tempo tentando
ganhar a alma da pessoa pra Jesus. Penso que devemos ganhar a pessoa da alma
para nós.
Precisamos cativá-la. Conquistar
seu respeito e confiança. E depois de ganhá-la para nós, ganhá-la pra Jesus
será mais fácil. É mais fácil evangelizar um amigo do que um estranho.
Precisamos fazer novas amizades. Abrir o leque de nossas relações. Estar
separado do mundo não no sentido geográfico, relacional, mas dos princípios e
valores do mundo.
Mas o que acontece hoje? O crente
se dissocializou. Não anda com quem é “do mundo” (como se existisse algum
E.T.). Não joga bola com quem é “do mundo”. Não vai ao rodízio de pizza com os
amigos “do mundo”. Separou-se geograficamente. Tornou-se alguém chato,
antipático, repelente.
Ninguém gosta de se sentir
desconfortável diante de alguém. Muito menos pressionado a ouvir aquilo que não
quer.
Nós certamente não gostaríamos
que um budista, espírita, muçulmano, judeu pregasse pra nós o tempo todo,
tentando nos converter à sua religião. Então por que fazermos o mesmo?
Não estou dizendo que não devemos
pregar o evangelho. Aliás, pregar o evangelho é a proposta do post, só que com
os métodos de Jesus. Quem vive Jesus não precisa falar o tempo todo.
O Evangelho segundo Jesus.
Paulo disse que somos uma carta,
e se de fato vivemos Jesus, eles lêem. Precisamos respeitar o espaço do outro.
O mesmo direito que temos de não querermos ser “evangelizados pelo budismo”,
por exemplo, eles também têm. Mais do que espiritual é uma questão de bom
senso, de respeito.
Jesus era sensato. Não era
invasivo. Sabia o quê e quando falar. Jesus era simples. Precisamos imitá-lo:
Quando esteve diante de uma
prostituta, não perdeu tempo dando lição de moral ou se comportando “com
santidade” de maneira a expor sua vida pecaminosa. Jesus não era contaminado
pela roupagem social. Ele via além da aparência. Ele enxergava o ser humano por
trás do rótulo.
Quando com fome, comia na casa de
pecadores. Jesus se relacionava mais com os ditos “do mundo” que com os
religiosos. (Mt. 9. 10-13)
Quando estava em Jericó não se
hospedou num hotel 5 estrelas, não quis dormir na casa de nenhum sumo
sacerdote. Jesus foi dormir na casa de alguém excluído da sociedade. Jesus se
hospedou na casa de Zaqueu, um político corrupto.
Jesus foi um verdadeiro mestre do
relacionamento. Durante toda sua vida e ministério, se preocupava em amar e
demonstrar misericórdia aos homens. Agora, se olharmos pra igreja evangélica,
principalmente no Brasil, vemos um povo que está sempre pronto a julgar e
tardio em se compadecer.
Precisamos entender que o
objetivo do evangelismo não é só conduzir a alma da pessoa ao céu. Mas é
proporcionar à pessoa, pela Palavra, um modus vivendi digno, uma vida
abundante. (João 10.10)
Porque o céu é garantia para
aqueles que confessaram e aceitaram Jesus como único e suficiente Salvador. Mas
enquanto a realidade do céu não chega, temos a realidade do Rio de Janeiro pra
viver e não dá mais para fecharmos os olhos diante do caos social que temos
vivido.
O que vejo com freqüência são
igrejas deformando pessoas, ou melhor, formando pessoas alienadas. Porque usam
a Palavra somente para pregar céu e inferno, de modo que, os crentes sabem
muito mais sobre fatos acontecidos há milhares de anos do que o que acontece
hoje à sua volta. Estou exagerando? Acho que não.
Se as igrejas preparassem os
crentes não só para as batalhas espirituais e falassem um pouco mais da
sociedade atual, ao invés de massas de gente em vigílias e “showzinhos gospel”
pelo Brasil a fora, veríamos a igreja assumir um papel de relevância social considerável
e pastores e crentes voltariam a ter credibilidade diante de Deus e dos homens.
Porque se o Evangelho alcançou
nossas vidas tendo começado somente com doze homens, imagina o que não
alcançaria, enquanto influência social, se um quarto dos crentes do Brasil
tivessem a metade da qualidade deles?
Penso que o segredo é ser
discípulo de Cristo e não um mero freqüentador de igreja, membro de uma
instituição dita evangélica.
O discipulado precisa ser
realidade na vida do evangelista.
O mundo não precisa ouvir uma fé
discursiva, teórica.
O mundo precisa ver a fé que age;
a fé que trabalha e, pelo trabalho, impacta a sociedade.
Enquanto não alcançarmos esse
entendimento, o crescimento quantitativo continuará sendo proporcional aos escândalos
que desmoralizam e descredibilizam o evangelho.
Fonte: http://ichtusgate.wordpress.com
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